Brasil e Índia: reunião de “superlativos”
27/02/2026
Mal terminou o Carnaval e o presidente Lula embarcou para mais uma viagem internacional. Desta vez para dois importantes países da Ásia: a Índia e a Coreia do Sul. Ministros de várias áreas o acompanharam, além de empresários brasileiros.
Segundo a agência oficial de notícias agência Gov, o presidente brasileiro chegou à Índia no dia 18 passado, em plena quarta-feira de cinzas aqui por essas praias. O seu primeiro compromisso foi a participação da cúpula sobre o impacto da inteligência artificial (IA) no mundo, que ocorreu na capital do país Nova Dheli. O evento contou com a participação de outros chefes de Estado e altos executivos do setor.
O Governo do Brasil apresentou sua visão estratégica para o uso da inteligência artificial (IA), defendendo que a tecnologia seja orientada pela inclusão social, a soberania digital e o desenvolvimento sustentável. O presidente Lula também se encontrou com o diretor-executivo da Google, Sundar Pichai. O CEO, de acordo com o presidente, falou da importância do Brasil para a Google, dos investimentos da empresa no país, da abertura do centro de engenharia em São Paulo e as ações de infraestrutura e parcerias com o setor público. O diálogo ocorreu a pedido de Sundar, logo após a cúpula sobre os impactos da inteligência artificial para a humanidade.
Lula apresentou ao executivo da big tech a visão brasileira para a inteligência artificial, as ações do Governo do Brasil na área de serviços públicos digitais, o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial e os objetivos de atrair investimentos para a instalação de data centers em território brasileiro.
Com o governo da Índia o Brasil assinou acordos importantes como um envolvendo minerais críticos e terras raras. o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi informou que o acordo é “um grande passo” para os dois países. “O acordo assinado sobre minerais críticos e terras raras é um grande passo em direção a construir cadeias de suprimento resilientes”, disse Modi.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou que a assinatura desse acordo coloca a tecnologia “a serviço do desenvolvimento inclusivo”. “É notável a evolução indiana em setores de ponta, como tecnologia da informação, inteligência artificial, biotecnologia e exploração especial. Isso cria muitas oportunidades de cooperação com o Brasil e traduz nosso compromisso com uma agenda que coloca tecnologia a serviço do desenvolvimento inclusivo. Ampliar os investimentos e a cooperação em matéria de energias renováveis e minerais críticos está no cerne do acordo pioneiro que assinamos hoje”, falou Lula.
Na área da Saúde também foram assinados acordo importantes. Foram fechados três Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDPs) estratégicas para a produção nacional de medicamentos contra o câncer no Sistema Único de Saúde (SUS).
Segundo o ministro da pasta Alexandre Padilha, que acompanhou o presidente, os acordos representam investimento estimado por parte do Ministério de até R$ 722 milhões no primeiro ano podendo chegar a R$ 10 bilhões em 10 anos, a partir do uso do poder de compra do Estado para ofertar aos pacientes do SUS os medicamentos pertuzumabe, dasatinibe e nivolumabe.
Na reunião final com o seu colega Modri, no último dia 21, o presidente brasileiro destacou semelhanças entre Brasil e Índia e a importância dos dois países para a reconfiguração da relações multilaterais no mundo.
“O encontro entre Índia e Brasil é uma reunião de superlativos: não somos apenas as duas maiores democracias do Sul Global. Este é o encontro da farmácia do mundo com o celeiro do mundo. De uma superpotência digital com uma superpotência da energia renovável. Somos megadiversos e polos da indústria cultural. Defensores do multilateralismo e da paz", destacou o presidente brasileiro.
Narendra Modi ressaltou o compromisso de elevar o comércio bilateral para além de US$ 20 bilhões nos próximos cinco anos, e destacou a cooperação em diferentes áreas.
Atualmente a Índia tem a maior população do mundo e a quinta economia global. A previsão é que se torne a terceira maior economia do mundo em 2050.